Histórinhas do Padre Paulo

Seleção de novas parábolas, histórinhas, contadas no Programa Bom Dia Sucesso, de Nei Paiva, na Rádio Cultura AM de Rio Claro, 1140 KHz

31/7/08

Sobre xícaras, café e pessoas.

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo.

Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras - de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a todos para se servirem. Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o professor disse:

Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse.
Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona
qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras… e então ficaram todos de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso:

A Vida é o café, e os empregos, o dinheiro e a posição social, são as xícaras.
Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a Vida… e o tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de Vida que vivemos.

As vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu.

Deus côa o café, não as xícaras…

Saboreie seu café!!!!!

criado por pepauloradio    10:21 — Arquivado em: Sem categoria

23/7/08

A caixa lápis

Eu estava concentrada em meu escritório, preparando a palestra que faria naquela noite em uma faculdade no outro lado da cidade, quando o telefone tocou. Uma mulher, que eu não conhecia, apresentou-se dizendo que era mãe de um menino de sete anos e que ela estava morrendo. Contou-me que sua terapeuta a aconselhara a não revelar este fato ao filho, uma vez que isso seria traumático demais para a criança. Mas aquele conselho não lhe pareceu correto.

Sabendo que eu trabalhava com crianças que sofreram perdas familiares, ela pediu meu conselho. Eu lhe disse que, geralmente, o nosso coração é mais esperto que o cérebro e que ela deveria saber o que era melhor para o seu filho. Convidei-a a assistir à minha palestra naquela noite, uma vez que eu falaria sobre como as crianças enfrentam a morte. Ela prometeu que compareceria.

Mas tarde, eu me perguntei se a reconheceria durante a palestra. Minhas dúvidas foram dissipadas quando avistei uma mulher frágil sendo conduzida por dois adultos até a sala onde seria realizada a conferência. Na palestra, expliquei que as crianças percebem a verdade antes que alguém lhes conte e que, quase sempre, esperam até sentir que os adultos estejam preparados para expor os fatos antes que elas mencionem suas preocupações e dúvidas. Eu disse que, de um modo geral, as crianças lidam melhor com a verdade do que com a negação dos fatos, mesmo que tal negação tenha o propósito de protege-las do sofrimento. Disse também que devemos respeitar as crianças, fazendo com que elas participem da tristeza da família, sem que se sintam excluídas.

Ela ouviu o que necessitava. No intervalo, caminhou com muito esforço até a tribuna e disse entre lágrimas:
- Meu coração já dizia isto. Eu sabia que deveria contar a ele.
Ela prometeu que contaria tudo ao filho naquela noite.
Na manhã seguinte, recebi outro telefonema daquela senhora. Apesar de sua dificuldade para falar, eu consegui ouvir a história contada em voz sufocada..
Na noite anterior, quando chegou a casa, ela despertou o filho e lhe disse com serenidade:
- Derek, eu preciso lhe contar uma coisa.
Ele a interrompeu, dizendo:
- Mamãe, você vai me contar que está morrendo?
A mãe o abraçou, e ambos soluçavam enquanto ela lhe dizia:
- Sim.
Depois de alguns minutos, o menino afastou-se da mãe, dizendo que havia guardado alguma coisa para ela. No fundo de uma de suas gavetas, ele havia guardado uma velha caixa de lápis. De dentro da caixa, ele tirou uma carta, escrita com letras um tanto ilegíveis: “Adeus, mamãe. Eu sempre vou amar você.”
Quanto tempo ele esperou para ouvir a verdade, eu não sei. Só sei que dois dias depois sua mãe morreu. Dentro do seu caixão foram colocadas a caixa de lápis e carta.

criado por pepauloradio    11:06 — Arquivado em: Sem categoria

22/7/08

Uma visão do perdão

Existia um padre de uma pequena paróqui que havia cometido um pecado na juventude e, segundo ele, um pecado terrível. Apesar de ter pedido perdão a Deus, ele passou a vida toda carregando o peso daquele pecado. Não sabia ao certo se Deus o perdoara.

Certa vez, ele ouviu falar de uma senhora idosa de sua paróquia que costumava ter visões. Contaram-lhe que, durante essas visões. Contaram-lhe que, durante essas visões ela conversava com Deus. Depois de algum tempo, o padre reuniu coragem suficiente para visitar aquela senhora.

Ela o convidou a entrar e lhe ofereceu uma xícara de chá.  Quando a  visita estava chegando ao fim, ele pousou a xícara na mesa e fitou a mulher nos olhos.

- É verdade que a senhora costuma ter visões? - ele perguntou.

- Sim - ela respondeu.

- É verdade também que… durante essas visões… a senhora conversa com Deus?

- Sim - ela tornou a responder.

- Bem… da próxima vez que a senhora tiver uma visão e conversar com Deus, poderia fazer-lhe uma pergunta?

A mulher olhou para o padre com ar de curiosidade. Ninguém antes lhe pedira nada parecido com isso.

- Sim, com muito prazer - ela respondeu - O que o senhor gostaria que eu perguntasse?

- Bem - o padre começou a dizer - a senhora poderia perguntar-lhe qual foi o pecado que este padre de sua paróquia cometeu quando era jovem?

Agora, visivelmente curiosa, a mulher concordou prontamente.

Depois de algumas semanas, o padre voltou a visitar aquela mulher. Depois de outra xícara de chá, ele perguntou com cautela e timidez:

- A senhora teve alguma visão recentemente?

- Sim, tive - respondeu ela.

- A senhora conversou com Deus?

- Conversei.

- Perguntou a Ele qual foi o pecado que cometi quando era jovem?

- Sim perguntei.

O padre, nervoso e demonstrando certo temor, hesitou por um momento antes de perguntar:

- E o que Ele disse?

A mulher olhou para o rosto do padre e respondeu tranqüilamente:

- Ele me disse que não se lembra.

-

criado por pepauloradio    11:02 — Arquivado em: Sem categoria

16/7/08

QUANDO ACABA A PACIÊNCIA…

Dizem que aconteceu em Minas Gerais, em Ubá, cidade onde nasceu o genial Compositor Ary Barroso.
Na cidade havia um senhor cujo apelido era Cabeçudo. Nascera com uma cabeça grande, dessas cuja boina dá pra botar dentro, fácil, fácil, uma dúzia de Laranjas.
Mas fora isso, era um cara pacato, bonachão e paciente.
Não gostava, é claro, de ser chamado de Cabeçudo, mas desde os tempos do grupo escolar, tinha um chato que não perdoava. Onde quer que o encontrasse, lhe dava um tapa na cabeça e perguntava:
- ‘Tudo bom, Cabeçudo’?
O Cabeçudo, já com seus quarenta e poucos anos, e o cara sempre zombando dele.
Um dia, depois do milésimo tapão na sua cabeça, o Cabeçudo meteu a faca no zombeteiro e matou-o na hora.
A família da vítima era rica; a do Cabeçudo, pobre.
Não houve jeito de encontrar um advogado para defendê-lo, pois o crime tinha muitas testemunhas.
Depois de apelarem para advogados de Minas e do Rio, sem sucesso algum, resolveram procurar um tal de ‘Zé Caneado’, advogado que há muito tempo deixara a profissão, pois, como o próprio apelido indicava, vivia de porre.
Pois não é que o ‘Zé Caneado’ aceitou o caso? Passou a semana anterior ao julgamento sem botar uma gota de cachaça na boca!
Na hora de defender o Cabeçudo, ele começou a sua peroração assim:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Quando todo mundo pensou que ele ia continuar a defesa, ele repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Repetiu a frase mais uma vez e foi advertido pelo juiz:
- Peço ao advogado que, por favor, inicie a defesa.
Zé Caneado, porém, fingiu que não ouviu e:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
E o promotor:
- A defesa está tentando ridicularizar esta corte!
O juiz:
- Advirto ao advogado de defesa que se não apresentar imediatamente os seus argumentos…
Foi cortado por Zé Caneado, que repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
O juiz não agüentou:
- Seu moleque safado, seu bêbado irresponsável, está pensando que a justiça é motivo de zombaria? Ponha-se daqui para fora antes que eu mande prendê-lo.
Foi então que o Zé Caneado disse:
-Senhoras e Senhores jurados, esta Côrte chegou ao ponto em que eu queria chegar…
Vejam que: se apenas por repetir algumas vezes que o juiz é meritíssimo, que o promotor é honrado e que os membros do júri são dignos, todos perdem a paciência, consideram-se ofendidos e me ameaçam de prisão…, pensem então na situação deste pobre homem, que durante quarenta anos, todos os dias da sua vida, foi chamado de Cabeçudo!

Cabeçudo foi absolvido e o Zé voltou a tomar suas cachaças em Paz.

criado por pepauloradio    10:43 — Arquivado em: Sem categoria

15/7/08

Os avós são encantadores

Os avós sempre estão dispostos a comprar doces para vocês.
Os avós ajudam você a lavar a louça quando é a sua vez de arrumar a cozinha.
Os avós são as únicas babás que não cobram hora extra depois da meia-noite – e não cobram nada antes da meia noite.
Os avós compram presentes que sua mãe diz que você não precisa.
Os avós chegam três horas antes do seu batismo, da sua formatura ou do seu casamento; isso porque querem se sentar num lugar de onde possam ver tudo o que vai acontecer.
Os avós amam voe desde quando você era um bebê careca, até ser um pai careca, e durante todo o tempo em que você teve cabelo.
Os avós amam colocam um agasalho em você quando eles estão com frio, dão comida a você quando estão com fome e o levam para a cama quando estão cansados.
Os avós ficam orgulhosos quando você ganha o prêmio de melhor datilógrafa, o mesmo prêmio, o mesmo prêmio que outras 80 garotas já ganharam.
Os avós colocam numa moldura o desenho de sua mão, traçado por você, e penduram o quadro na sala de estar, decorada em estilo mediterrâneo, na casa deles.
Os avós lhe dão dinheiro escondido pouco antes do Dia das Mães.
Os avós ajudam você a abotoar as roupas, fechar o zíper e amarrar os sapatos, e dizem para voe não ter pressa de crescer.
Quando você era bebê, seus avós iam verificar se você estava chorando, mesmo quando você estava dormindo profundamente.
Quando uma criança diz: “Por que vocês não tiveram filhos?”, os avós lutam para conter as lágrimas.

criado por pepauloradio    10:31 — Arquivado em: Sem categoria

2/7/08

O Acendedor de Lampiões

Quando era moço, o acendedor de lampiões levava uma vida difícil, instável. Alguns anos depois de ele se tornar cristão, um ex-amigo passou a ridicularizá-lo por seu novo estilo de vida. O acendedor de lampiões lhe disse, certo dia:

- Existe apenas uma explicação que eu posso dar: quando sigo pela rua apagando os lampiões, olho para trás e vejo tudo escuro. É assim que eu era antes de conhecer Cristo. Porém, quando continuo a seguir pela rua, os lampiões adiante de mi iluminam meu caminho. É assim a vida com Cristo.

O ex-amigo perguntou:

- E depois que você apaga todos os lampiões?

O acendedor de lampiões respondeu:

- O dia já está clareando.

criado por pepauloradio    10:28 — Arquivado em: Sem categoria

1/7/08

Navegando à deriva

Conta-se a história de um menino que estava brincando com seu barquinho no lago. De repente, o barquinho se afastou dele. Um homem, que estava por perto, viu a cena e começou a atirar pedras na água, adiante do barquinho. O menino perguntou:

- O que você está fazendo?

De repente, algo muito interessante aconteceu. Quando as pedras bateram na água, produziram ondas que empurraram o barquinho de volta ao menino. Embora as pedras tivessem agitado a água tranqüila do lago, elas alcançaram o efeito desejado.

É assim que Deus procede, às vezes. Quando nos afastamos de sua presença. Ele atira pedras adiante de nós para nos forçar a retornar à praia do seu amor.

criado por pepauloradio    10:27 — Arquivado em: Sem categoria
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