9/5/08
O avarento
O cádi Ahmed Hassã, justo e enérgico, ao ouvir, certa vez, comentar a avareza sem-par de Mawid, abastado mercador em Muazzã, bairro de Bagdá mandou chamá-lo e com o fim de obrigá-lo a praticar esmola - conforme determina o Alcorão - disse-lhe:
- No bairro em que resides, meu amigo, mora, também um velho artesão que, embora trabalhe de manhã à noite, vive na maior pobreza com oito filhos menores. Ficarás encarragado de hoje em diante, de proteger essa infeliz família. Todas as semanas deverás levar um auxílio, uma esmola qualquer ao artesão.
- Assim farei, senhor! - respondeu Moawid - Não pouparei sacrifícios para melhora a situação do meu infeliz protegido…
Passado trêsdias, soube o cádi que o avarento havia levado ao artesão um pedaço de carneiro. A carne estava, porém, em tal estado de podridão que deixava desprender um mau cheiro horrível.
- Miserável! - reclamou o cádi, revoltado com o proceder avarento - Comprou, por preço vil, um pedaço de carne deteriorada que nem mesmo um chacal seria capaz de comer! Vou castigar esse homem! E o enérgico Ahmed mandou que o trouxessem à sua presença e disse-lhe:
- Acabo de sr informado da tua indignidade, ó mulçumano sem coração! Para cumprires com a ordem que te dei, deste ao pobre artesão um pedaço de carne estragada, intragável! E para que aprendas a ser generoso, vais sofrer um castigo que tu mesmo irás escolher: ou pagas uma multa de cem moedas de ouro, ou apanhas cem chibatadas, ou então, comes todas a carne repelente com que insultates a pobreza do artesão! Vamos! Escolhe um desses três castigos!
O velho avarento, ao ouvir a terrível ameaça do cádi, pensou:
- Pagar a multa? Não pago! Apanhar cem chibatadas é doloroso! O melhor que tenho a fazer, afinal, é comer a carne. E depois de assim meditar, dirigiu-se ao governo da cidade e disse:…
continua
criado por pepauloradio
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