2/4/08
Dança de Outono
Ela estava no parque esta tarde, a pouca distância de sua tutora. Os traços de seu rosto revelavam que, embora o porte físico fosse o de uma jovem, sua mente sempre continuaria a de uma criança. Meus filhos corriam, saltavam e peneiravam a areia, com seus dedinhos perfeitos e bem coordenados. Brincando entretidos com uma pá, eles não notaram que o vento mudara de direção. Mas ela notou. As fortes rajadas do vento de outuno revolvivam as folhas de cor âmbar.
Chamei meu filho, um menino muito ativo, e peguei minha filha pela mão. Está na hora de ir. A mamãe ainda tem muitas coisas a fazer hoje. Meu filho, com suas bochechas rosadas, empertigou o corpo e olhou fascinado, com os olhos arregalados, a dança da menina com síndrome de Down. Ela colhia folhas do chão e jogava-as por cima da cabeça, como se fosse uma chuva cintilante e jubilosa de outono.
A cada giro com o corpo, ela pulava e cantava, com voz deficiente vinda do fundo do coração - um cântico de louvar especial Àquele cuja respiração faz as folhas despencarem das árvores.
- Rápido. Vamos embora. Já prrenderam os cintos de segurança?
Dou a partida no carro. Pelo espelho retrovisor, eu olho para a menina mais uma vez, através de meus olhos ambaçados. Em seguida, lágrimas surgem. Não são lágrimas de piedade por ela. As lágrimas são por mim. Porque sou muito orgulhosa para louvar publicamente o meu Criador.
Sou uma pessoa inteira, normal e inteligente, e choro porque nunca serei capaz de conhecer a maravilhosa misericórdia que liberta uma criança como aquela e a leva a dançar no meio das folhas de outono.
criado por pepauloradio
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