20/2/08
O rato da biblioteca
- Não se há de confundir o belo com o bom, pois isso traz muitos percalços - diz o Senhor.
Um escritor entretinha-se em seu trabalho, observando de vez em quando um rato brincalhão, que passeava por seu gabinete. O pequeno roedor, visto de perto, era bonito: sua cor, suas maneiras agitadas, seu pequenino focinho miúdo, tudo nele era gracioso. O intelectual comprazia-se, satisfeito, ao vê-lo em seu aposento, e reconhecia que os desenhistas de Tom e Jerry ou de Mickey, heróis de seus filmes de infância, haviam trabalhado com acerto.
Certa manhã, todavia, ao entrar em sua biblioteca, observou que um maço de folhas que havia deixado sobre a mesa lá não estava. Olhou atentamente, e viu um pó cinzento, minúsculos pedacinhos de papel picotado e muitos excrementos pretos, o que confirmava que o rato havia dado um estúpido fim a seu capital.
No reino dos céus, muitos se deixam cativar por um semblante bonito, por um corpo incomparável, por um olhar sedutor, e que começa sendo um prazer momentâneo se converte na perda total dos próprios valores, para que depois essa pessoa fascinante se distancie, deixando um indício de vaidade, egoísmo e vazio.
É preciso proteger as coisas que têm valor, sem se deixar iludir pelo que é apenas atraente.
criado por pepauloradio
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